sábado, 16 de abril de 2011

Retrato Antigo

Helena Kolody



Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com os olhos que foram meus?

                                             




Quem é essa
que me vê do lado de lá
quando eu dela preciso cá?

Quem é essa
que está em mim
e eu nela
em hora sem fim?

Quem é essa,
quem sou eu?
De tanta pressa
o vento levou...
Fiquei eu
Olho no olho
O meu no seu
Num retrato antigo
Num estar comigo
Num olhar só meu.



domingo, 10 de abril de 2011

Olhai os lírios do campo

Estive pensando muito na fúria com que os homens se atiram à caça ao dinheiro. Essa é a causa principal dos dramas, das injustiças, da imcompreensaão da nossa época. Eles esquecem o que tem de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece  de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha céus se não há mais almas humanas para morar neles?
Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia, que está na estante de livros, perto do rádio, leia apenas o Sermão da Montanha. Não será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar nesse trecho, principalmete no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.
Está claroque não devemos tomar as palavras de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. é indispensável trabalhar pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto dar um sentido humano as nossas construções. E quando o amor oa dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausar para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Não pense que estou fazendo um elogio ao puro espírito contemplativo e da renúncia,ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na "outra vida". Há na terra um grande trabalho a realizar. é tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemeos  cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.
Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que eesa luta nos trará, das horas amargas a que ela nos há de levar.

Olhai os lírios do Campo, Érico Veríssimo.

sábado, 9 de abril de 2011

Versos de um amor perdido

Partiu
Ficou a casa, a solidão e o espanto
Deixou nos olhos da amada o pranto
Levou nos seus um seco e triste adeus

Foi
Seguindo em frente sem  olhar pros lados
Mas, não conseguiu esquecer o passado
E quis de volta tudo o que foi seu

Voltou
Tão certo que iria encontrar
Naquela casa sempre o seu lugar
Naquele peito os amores seus

Entrou
Não viu na porta aquele doce encanto
E dentro só um triste pranto
Naquela tarde seu amor morreu

Chorou
Ao perceber surpreso que a um canto
os olhinhos de um pequeno anjo
refletiam  a mesma dor dos seus.



A história que Catarina contou não me saiu da cabeça. Está aí, traduzida em versos.
Dedico a Judite e Everaldo, um amor que não pôde viver sua plenitude.