domingo, 20 de novembro de 2011

FELIZ *---*

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Quero mais 100 agora... rsrsrs...
Beijos (L)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Conta e Tempo





Deus pede estrita conta do meu tempo, 

E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta; 

Mas como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei sem conta tanto tempo?


Para dar minha conta feita a tempo, 

O tempo foi me dado, e não fiz conta.

Não quis, sobrando tempo, fazer conta, 



Hoje quero dar conta, e não há tempo.



Ó vós, que tendes tempo sem ter conta, 

Não gasteis vosso tempo em passatempo. 

Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo, 

Quando tempo chegar de prestar conta, 

Chorarão, como eu, o não ter tempo.


(Frei Antônio das Chagas)

sábado, 22 de outubro de 2011

O Tempo e as Jabuticabas




'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver  daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,  que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos lizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'

O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves


segunda-feira, 27 de junho de 2011

A separação dos Amantes

Poucos temas despertam tanto o interesse dos artistas e do público quanto a paixão amorosa. Clássicos da literatura e do teatro, como "Romeu e Julieta", comovem as pessoas há séculos ao apresentarem o drama do casal de apaixonados.O psicoterapeuta Flávio Gikovate fala sobre o amor, a diferença entre amor e sexo, e sobre os impedimentos internos e externos que separam os casais.  Para Gikovate, o que leva à separação dos amantes é algo que está dentro de nós e está relacionado às nossas primeiras experiências afetivas. Palestra proferida no Café Filosófico, em 17/9/2004.

Quem tiver tempo, não deixe de assistir!



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Prufundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
***

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô

[...]
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Manuel Bandeira 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

E o medo se vai
Eu busco no horizonte
Os sonhos que deixei pra trás
Por não saber viver.
E hoje falo de amor,
Pois ontem eu te digo amigo
Que vivi na dor sem hesitar.
[...]
Os dias correm, somem
E com o tempo não vão voltar,
Só há uma chance pra viver.
Não perca a força, e o sonho,
Não deixe nunca de acreditar
Que tudo vai acontecer.
[...]
Levante as mãos e vai sentir,
O Homem da Cruz a te remir
Olhe pro céu e tente ver,
Há um Deus a espera de você





Este é um recomeço. Nada melhor que a letra dessa música pra marcar o momento.
Deixo com vocês o vídeo da música Chance, de Rosa de Saron, uma de minhas bandas preferidas *-*





Beijos e até breve :)

sábado, 16 de abril de 2011

Retrato Antigo

Helena Kolody



Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com os olhos que foram meus?

                                             




Quem é essa
que me vê do lado de lá
quando eu dela preciso cá?

Quem é essa
que está em mim
e eu nela
em hora sem fim?

Quem é essa,
quem sou eu?
De tanta pressa
o vento levou...
Fiquei eu
Olho no olho
O meu no seu
Num retrato antigo
Num estar comigo
Num olhar só meu.



domingo, 10 de abril de 2011

Olhai os lírios do campo

Estive pensando muito na fúria com que os homens se atiram à caça ao dinheiro. Essa é a causa principal dos dramas, das injustiças, da imcompreensaão da nossa época. Eles esquecem o que tem de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece  de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha céus se não há mais almas humanas para morar neles?
Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia, que está na estante de livros, perto do rádio, leia apenas o Sermão da Montanha. Não será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar nesse trecho, principalmete no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.
Está claroque não devemos tomar as palavras de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. é indispensável trabalhar pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto dar um sentido humano as nossas construções. E quando o amor oa dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausar para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Não pense que estou fazendo um elogio ao puro espírito contemplativo e da renúncia,ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na "outra vida". Há na terra um grande trabalho a realizar. é tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemeos  cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.
Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que eesa luta nos trará, das horas amargas a que ela nos há de levar.

Olhai os lírios do Campo, Érico Veríssimo.

sábado, 9 de abril de 2011

Versos de um amor perdido

Partiu
Ficou a casa, a solidão e o espanto
Deixou nos olhos da amada o pranto
Levou nos seus um seco e triste adeus

Foi
Seguindo em frente sem  olhar pros lados
Mas, não conseguiu esquecer o passado
E quis de volta tudo o que foi seu

Voltou
Tão certo que iria encontrar
Naquela casa sempre o seu lugar
Naquele peito os amores seus

Entrou
Não viu na porta aquele doce encanto
E dentro só um triste pranto
Naquela tarde seu amor morreu

Chorou
Ao perceber surpreso que a um canto
os olhinhos de um pequeno anjo
refletiam  a mesma dor dos seus.



A história que Catarina contou não me saiu da cabeça. Está aí, traduzida em versos.
Dedico a Judite e Everaldo, um amor que não pôde viver sua plenitude.



sábado, 26 de março de 2011

A geografia dos corações

          

            Rachel de Queiroz, uma das mulheres que melhor escreveu no Brasil, fez este lindo depoimento, falando do valor inestimável da amizade:

" Para cada amigo há uma área específica dentro do nosso coração. Não misturemos os amigos uns com os outros. Cada amigo, sendo único em seu território, não precisa sequer conhecer os donos dos outros territórios.
É que, sendo a nossa alma tão variada  nas suas exigências, precisamos de amigos de acordo com os diferentes âgulos do nosso coração. O amigo de comunicação intelectual não pode ser o mesmo amigo da confidência íntima; o velho companheiro de infância não tem nada a ver com o precioso camarada adquirido nos anos de maturidade".

 É isso. Também o maravilhoso país da amizade,pontilhado de acidentes, de vales, planícies e montanhas, tem sua geografia secreta, seus territórios sagrados, invioláveis. É sabedoria aceitar e respeitar mais essa lição,na arte de bem viver. Infelizmente há tantos analfabetos nessa cartilha! Nunca saíram do primeiro ano atrasado, na geografia misteriosa dos corações!







Por uma questão de respeito:
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O texto publicado não é de minha autoria.
Mais informações, ver o fim da seguinte postagem:
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domingo, 20 de março de 2011

O Mistério da Nossa Individualidade e a Felicidade Compartilhada

O MISTÉRIO DA NOSSA INDIVIDUALIDADE     


             Cada ser humano é único, distinto. Mesmo os gêmeos nunca são iguais, Deus não usa papel carbono, confecção em cópia. Executada a tarefa criadora, ele joga fora o original... para não se repetir.

          Você já agradeceu a Deus por não ter Ele ritmado suas obras primas – as criaturas – pelos padrões da sociedade de consumo, onde quase tudo é fabricado, em massa, em série, modelo standard, tamanho único na mesmice rotineira da repetição maciça?
          Somos todos individualidades. Cada qual é um mundo à parte, com seu rosto, sua história, seu passado e seu presente, seu mistério peculiar, inédito, intransferível.
          Por isso mesmo o amigo de verdade é aquele que se debruça respeitoso sobre o nosso pequeno-grande mundo-pessoal, acolhendo-nos como totalidade: com o nossos sonhos próprios, com nossas angústias e esperanças particulares, com nossos planos, sentimentos e realização individuais.



FELICIDADE COMPARTILHADA



           Quando você faz duas pessoas felizes é bem provável que uma delas seja você.

           Para viver em plenitude, para subir mais alto, descer mais fundo, para sorrir e triunfar com menos aspereza, precisamos de alguém ao nosso lado, juntando o seu ombro amigo ao nosso.
          Quem planta flores ao longo do seu itinerário embeleza o mundo, enriquece as paisagens, colore o seu meio ambiente, perfumando centenas de corações.
          Você já se lembrou de plantar a flor da amizade no canteiro macio de ao menos um coração, deixando-o assim, mais feliz?
          Precisamos de um amigo, assim como a rosa e o cravo precisam de sol para desabrochar, para florescer. Cravos e rosas, símbolos eloquentes e universais do afeto, da amizade,do amor.



Foto: (da esquerda para a direita) Thaiane, eu, Camila e Amanda. 
Minhas amigas queridas, que me inspiram a escrever sobre AMIZADE.





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O texto pupblicado não é de minha autoria.

Mais informações, ver o fim da seguinte postagem:
http://lira-flor.blogspot.com/2011/03/o-tesouro-de-um-amigo.html
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sábado, 12 de março de 2011

O Encanto Maior da Amizade

    

      Amigo verdadeiro é coisa rara, preciosa, difícil de encontrar e mais difícil ainda de ser preservada incólume no garimpo da existência.
     O amigo de verdade é alguém ao nosso  lado, em todas as horas. Alguém que nos compreende, que nos estende a mão, partilhando conosco momentos bons, momentos maus. Alguém que ri e chora conosco. Alguém que nos aceita, assim como somos, com nossas virtudes e defeitos, com nossos entusiasmos e desalentos, com nossas manhas e oscilações, rosto desanuviado ou cara fechada.

           O encanto maior da amizade é exatamente este: a gente saber que é querido a despeito de todas as nossas misérias e mesquinharias tamanho família.

            O amigo de verdade é alguém que não nos abandona jamais. Alguém que nos perdoa, nos releva, nos desculpa, sem voltar-nos as costas, mesmo quando o magoamos ou esquecemos. Não se afasta, não decreta luto mortal, não nega seu voto de confiança, mesmo quando o preterimos alguma vez, sem dar-lhe o sorriso da atenção que ele merece, por ser o que é para nós.

      Ele aprendeu a lição dos frutos que sabem esperar. Integrou a mensagem do grão de trigo que morre para depois florescer, dando tempo ao tempo, na prece, na humildade e no silêncio confiante.




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O texto pupblicado não é de minha autoria.
Mais informações, ver o fim da seguinte postagem:
http://lira-flor.blogspot.com/2011/03/o-tesouro-de-um-amigo.html
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quinta-feira, 10 de março de 2011

2- O Naufrágio da Solidão

     O calor humano da amizade é uma questão de sobrevivência. A estatísticas dos suicídios e dos margurados prova-o sem apelação.
     Enquanto não encontramos o porto seguro e pacificante de um amigo verdadeiro, nosso barco singa triste, desarvorado, perdido no oceano da vida.

     "Estou só. Onde estão meus amigos?" - é o brado lacinante de tanta gente marcada pelo sofrimento do abandono, da marginalização.
     "Estou só. Onde estão meus amigos?" - repete o coro universal de todos os naufrágos que se debatem desesperadamente nas águas fundas da solidão.
     "Estou só. Onde estão meus amigos?" - reboa na canção e no sorriso da felicidade aparente de tantas estelas no cinema, de tantos artistas da televisão. Ídolos humanos, endeusados, aplaudidos, invejados, nadando em dinheiro, concedendo entrevistas, correndo o mundo. E, quantas vezes, em meio à legião incontável de seus admiradores, não encontram um único coração, amigo de verdade.
 
     Nas telas iluminadas, nos palcos do mundo e nas constelações do prestígio humano voeja tanta felicidade mentirosa, de brilho falso, sem raízes de profundidade. Pássaros de lindas penas, mas de asas quebradas.
Raimundo Correa, meio século atrás já dizia na precisão do seu talento:

- Quanta gente que ri, talvez existe,
cuja única ventura consiste
em parecer aos outros venturosa!




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O texto pupblicado não é de minha autoria.
Mais informações, ver o fim da seguinte postagem:
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domingo, 6 de março de 2011

O Tesouro de Um Amigo



 O calor humano da amizade não é  questão de romantismo,
mas   uma  questão de sobrevivência.  O amigo é uma fonte
inesgotável de alegria,  de  ajuda,  de  felicidade. O  melhor
remédio  para  as   horas  em  que o  sofrimento
nos joga no hospital-da-vida...

                                                                


1 - UM GRITO PARADO NO AR

         E o Pequeno Príncipe, andarilho incasável de tantas estradas subiu até o alto de um rochedo e  lá de cima gritou ao mundo:
- Estou só, tremendamente só. Onde estão meus amigos?
        O Pequeno Príncipe, que sabia das coisas, é um símbolo do coração humano, faminto de amor, sedento de amizade.
        Outro dia, festejávamos a Irmã Cecília, coordenadora de uma comunidade religiosa. Foi uma celebração eucarística muito família, impregnada de fé, espírito de oração e de amizade fraternal, assim de brotar lágrimas na alma de muita gente que lá se achava.
        Na hora das preces do grupo, a homenageada rezou "por todos aqueles que ainda não tiveram a graça e a sorte de encontrar um verdadeiro amigo, uma verdadeira amiga no percurso da sua existência".
        Foi um momento de impacto e ternura envolvendo o ambiente. Aquela prece tão breve e liberada com tanta espontaneidade ecoou profunda e indelevelmente em meu coração.




Este texto e a sequencia de textos a seguir fazem parte de um antigo livro que pertence a minha madrinha (acho que ela nem lembra mais dele) e que encontrei perdido no meio de minhas coisas. O licro está sem capa, faltam algumas páginas, está rabiscado, mas tem textos maravilhosos. Resolvi publicar alguns dos para que não se percam no tempo. Como livro está sem capa, e perdeu algumas páginas não foi possível identificar o autor e por isso não dei os créditos a ele, mas continuo  procurando algum indício de quem o escreveu.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Palavras emprestadas

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

Caio Fernando Abreu


É muito difícil voltar. Os regressos são sempre cheios de incertezas, nos deixam sem palavras. Não quis voltar quando só quando  realmente tivesse algo de 'meu' a dizer. Preferi tomar palavras emprestadas na falta das minhas. E ainda assim, isso traduz o que senti.  Estou viva, ainda estou aqui.