sexta-feira, 24 de julho de 2009

Alegria = )




Que é de ti, melancolia?
Onde estais, cuidados meus?
Sabei que a minha alegria
É toda vinda de Deus...


Deitei-me triste e sombria,
E amanheci como estou...
Tão contente! Todavia
Minha vida não mudou.


Acaso enquanto dormia
Esquecida de meus ais,
Um sonho bom me envolvia?
Se foi, não me lembro mais...

Mas se foi sonho, devia
Ser bom demais para mim
Senão não me sentiria
Tão maravilhada assim.

Ó minha linda alegria,
Trégua dos cuidados meus,
Por que não vens todo dia,
Se é toda vinda de Deus?


Clavedel, 1913

A Canção de Maria - Manuel Bandeira

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Isso porque hoje, sem motivo algum, eu acordei F E L I Z!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ao desconcerto do Mundo




Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui má, mas fui castigada.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.



Luís de Camões

domingo, 10 de maio de 2009


Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesma envelhecí: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a tua menina, que a sol-posta
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes é tanta
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

E quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cada volta é um recomeço.

Para que escrevo?
Eu sei? Sei não.
Sim, é verdade, as vezes também penso que eu não sou eu, paeço pertencer a uma galáxia longínqua de tão esranho que sou de mim.
Sou eu? Espanto-me com meu encontro.

...


Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser, e se não fosse a sempre novidade que é escrever eu me morreria simbolicamente todos os dias

-Citações de A Hora da Estrela.

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Fui indagada arespeito do que me motiva a escrever, a escrever "só pra mim", sem "público". Na hora não soube bem explicar. Em se tratando de falar de sentimentos eu sempre tropeço nas palavras. Sei que isso brita da necessidade de externar sentimentos, o que sinto e oculto, que penso e não falo. Sentimentos que parecem inexistentes pelo meu comportamento tão alheio a certas situações. O que uns chamam de omissão, eu chamo de medo de sofrer. Mas, eles estão aqui. Dentro de mim existem palavras que sufocam e por vezes (me) maltratam.
O ato de escrever tornou-se consequência natural.
Quando escrevo sou livre. Escrever pra mim é libertação.

Então eu eu resolvi vir aqui dizer isso. Tirar daqui o que eu achei prudente, deixar apenas o que interessa, recomeçar e abrir pra todo mundo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Tentando dizer quem sou

Uma menina chamada de 'Flor', que possui seu próprio encanto, seus espinhos e sua essência.
E é justamente esta última que traduz tudo o que sou.
Minha essência está derramada nas entrelinhas dos textos aqui publicados.
Nos meus, coloco minha alma, nos que não são é porque neles encontrei vestígios dela.
Seja música, crônica, poesia, tudo isso me compõe.
Sou tudo o que vejo, penso e sinto.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O recomeço



'...Serei de você confidente fiel,
se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo,
Vou lhe dar abrigo, se você quiser
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel

O que está escrito em mim comigo
Ficará guardado, se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer
Só peço a você um favor, se puder
Não me esqueça num canto qualquer



Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu.
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos
Porque vistos de um jeito certo, os erros,
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros

O caderno é uma metáfora da vida,
Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,
Que a nossa professora nos sugeria que agente virasse a página.
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.
Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,
Agente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.
Erros podem ser fontes de virtudes!
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas.
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande
sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.
Uma coisa é agente se arrepender do que fez! Outra coisa é agente se sentir culpado.
Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!
Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos.

Deus é semelhante ao caderno.
Ele nos permite os erros pra que agente aprenda a fazer do jeito certo.
Você tem errado muito?
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje!
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.
Quando os erros são demais, vire a página!


É isso que acabei de fazer ao retomar o blog depois de tanto tempo.
Recomeçando
!